terça-feira, 2 de julho de 2013

Da plenitude e das coisas que trazem felicidade.



Ela nem tem a medida certa, nem usa as roupas que estão na moda. Ela não arruma o cabelo toda semana, não tem o carro do ano e muito menos se preocupa se esta ou aquela bolsa é uma legítima Louis Vitton. Ela não costuma ficar o dia inteiro no shopping comprando tudo o que vê ou fazendo a vendedora abrir e dobrar todo o mostruário da loja. Seu celular não tem nem mesmo uma capinha de oncinha ou bonequinha ou enfeitezinho ou qualquer que seja o diminutivo. Ela não chama suas amigas de honey. Ela fica super away se alguma delas a chama assim.

Ela gosta de ler e acha graça quando acham graça se é isso mesmo que ela vai fazer na sexta a noite. Ela trabalha pra caralho e faz planos pra ir com alguém pra Floripa no fim do ano, só não sabe quem. Ela tá bem preocupada com a inflação e chora feito criança quando escuta o hino nacional. De vez em quando ela sai pra dançar e não liga nem um pouco se vai dormir sozinha. Ela quer um cara pra sempre. Ela quer terminar a faculdade e aprender a fazer brigadeiro de colher. Assiste bons filmes e vai à algumas exposições. Ela quer vender o carro e fazer sua pós no exterior. E ela tem os olhos e o sorriso mais lindos que eu já vi.

Quando alguém lhe pergunta sobre o amor ela finge que não é com ela, despista e fala sobre os Beatles. O amor já passou na sua vida, ela sabe como é. Quando tá com o saco cheio ela liga o rádio e pensa na vida. Ela tá cagando pro vizinho que acha que ela é louca. Mas ela é mesmo louca quando conversa com os passarinhos sobre aquele cara que ainda vai chegar. Um cara legal, que a respeite como respeita as faixas de pedestre. Um cara como ela que cultive a habilidade de ser especial nos dias mais cinzas. Ela nem pensa que precisa ser agora, talvez quando fizer frio.

Ela não é nem nunca foi a mais bonita mas tem seu charme de menina descompromissada, assim, de primeira vista, não levando em conta seu heroísmo pra pagar as contas no fim do mês. Um charme de mulher vivida, assim, se todos não soubessem que ela se derrete toda quando alguém lhe faz um elogio. Um charme que é só dela, na sua singularidade plural, de amar as coisas como elas são, o reto é belo e o convexo também, de passar o tempo aguando as plantas e os sonhos. De realizar e ser realizada.

Você pode até não se apaixonar como eu, mas tenha a certeza que algo dela sempre vai ficar. Se não o cheiro de chiclete de hortelã, pelo menos a vontade voraz de ser feliz.

Um comentário:

  1. Queria que escrevesses eternamente para que eu lesse eternamente...

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